13 de junho de 2010


Falar da minha mãe é sempre um prazer, pense numa mulher guerreira. Me ensinou tudo o que sei, aliás, me alfabetizou em casa. Nunca deixou que desistisse de meus objetivos, e sempre lutou para que pudesse literalmente caminhar com minhas próprias pernas.

Passou a vida dedicando-se a mim e mais duas irmãs que tenho, nossas vidas foi de idas a fisioterapias e hospitais para cirurgias. Mas sempre vi minha mãe otimista, feliz, com cara de missão cumprida, sempre forte.

Acho até que herdei dela mesmo parte da força que tenho. Imagino o que deve ter sido para uma mãe, receber um diagnóstico de que sua filhinha primogênita seria para sempre um ser totalmente dependente, em virtude de uma paralisia cerebral na hora do parto. Ela poderia ter se fragilizado e como era uma mãezinha de primeira viagem até ter perdido o rumo das coisas, mas foi tão forte e superior que o olhar de Deus não se desviou dela. Não tenho nenhuma sequela cerebral, sou uma pessoa totalmente dona de minhas funções cognitivas e independente, a única parte lesada foram os membros inferiores e nada mais.
O processo foi longo e árduo até chegar ao que estou hoje, muitas cirurgias, muita fisioterapia e boa vontade e disposição da minha mãe para não deixar a peteca cair. Meu pai foi importante, mais a barra mais pesada quem segurou com muita dignidade foi minha mãe e aí de mim, se tivesse sido diferente.

Por esta razão que não desisto "quase" nunca do que preciso conquistar, cada vez que lembro do que passamos juntas, fico mais forte e sei que não posso desistir, por ela e por tudo que ela ajudou a conquistar, doando-se como alicerce. Desistir é sempre o caminho mais fácil e rápido, jamais será o mais digno!




Tarciana Marinho.

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